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segunda-feira, 3 de abril de 2017

As Árvores morrem de pé


Já tanto caminhei,
muito conheci e vivi.
Sei dos sabores
e dissabores que a vida nos dá;
aprendi a viver!

Uma busca constante
de aperfeiçoamento
mesmo que custe sofrimento!

Luto
pela igualdade,
pela diferença
num misto de
tolerância,
compreensão
e perdão
que não têm preço para mim!

Quando partir
para além do azul
nessa estrada sem fim
quero ser como se fosse árvore;
as árvores morrem de pé!

[José Manuel Brazão]


quarta-feira, 30 de outubro de 2013



O mais importante da vida não é a situação em que estamos, mas a direcção para a qual nos movemos.
[Oliver Wendell Holmes]

domingo, 2 de junho de 2013

Lutar para vencer



Luta com determinação, abraça a vida com paixão,
Perde com classe e vence com ousadia,
Porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é muito para ser insignificante.
(Charles Chaplin)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cegonhas brincando




Acabadinha de chegar
Viajou nas asas do vento
Noutras terras além mar
Aqui vem pra procriar
Novas crias ver nascer
Na primavera em flor
Volta ao ninho com amor
Faz do sul o seu viver
Na planície a renascer
Tufos de flores amarelas
Outras brancas e singelas
Como as penas da cegonha
São as penas que carrego
Penas de gente que sonha
Que um dia voltará
O oiro ao Alentejo
O trigo loiro renascerá
A terra por fim brilhará.

(Antónia Ruivo)

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um sonho de cores


Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?

(Fernando Pessoa)

domingo, 17 de junho de 2012

E se aquele por do sol fosse eu?



E se aquele pôr do sol fosse eu?
Se eu desaparecesse assim?
A minha vida, e tudo o que sucedeu...
Eu não passaria de uma flor de jardim
E na verdade, posso não ser o pôr do sol
Mas os momentos são mais fugazes que isso
E o tempo algo extremamente impreciso

Eu, eu sou apenas uma folha ao vento
Vendo mil pôr do sois
Aproveitanto cada escasso raio, cada momento
Mas não consigo ter a segurança da manhã
Não me fio em Deus, sou como que pagã
E miro o pôr do sol, temendo a noite
E agradecendo a sorte
De um ultimo raio de luz
Daquele doce brilho, que tanto me aquece
Essa luz que me esquece
Mas que tanto me seduz...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Insónia Alentejana


Insónia Alentejana

Pátria pequena, deixa-me dormir,
Um momento que seja,
No teu leito maior, térrea planura
Onde cabe o meu corpo e o meu tormento.
Nesta larga brancura
De restolhos, de cal e solidão,
E ao lado do sereno sofrimento
Dum sobreiro a sangrar,
Pode, talvez, um pobre coração
Bater e ao mesmo tempo descansar...

Miguel Torga

domingo, 10 de junho de 2012

De Espanha para Portugal


AS PEDRAS

As pedras falam? pois falam
mas não à nossa maneira,
que todas as coisas sabem
uma história que não calam.

Debaixo dos nossos pés
ou dentro da nossa mão
o que pensarão de nós?
O que de nós pensarão?

As pedras cantam nos lagos
choram no meio da rua
tremem de frio e de medo
quando a noite é fria e escura.

Riem nos muros ao sol,
no fundo do mar se esquecem.
Umas partem como aves
e nem mais tarde regressam.

Brilham quando a chuva cai.
Vestem-se de musgo verde
em casa velha ou em fonte
que saiba matar a sede.

Foi de duas pedras duras
que a faísca rebentou:
uma germinou em flor
e a outra nos céus voou.

As pedras falam? pois falam.
Só as entende quem quer,
que todas as coisas têm
um coisa para dizer.

(MARIA ALBERTA MENÉRES)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Que os Cravos de Abril criem raizes



Trinta e oito anos passaram
em que valorosos Capitães sem medo
das garras do fascismo nos tiraram
e acabaram de vez com o degredo.

Não podemos esquecer tão lindo dia
com as ruas cheias de soldados
com os dedos vitoria se fazia
e as balas eram cravos encarnados.

Liberdade, Liberdade se gritava
as portas das prisões foram abrir 
quanta gente pela rua então chorava
ao ver os seus filhos sair.

Que os cravos de Abril criem raízes
que de uma semente saiam mil
para que os Portugueses sejam mais felizes
defendendo a Liberdade que lhes trouxe Abril.

Poema: Delmina Traitolas
Foto: Joaquim Candeias
(Obrigado amiga Delmina pela autorização da publicação do seu poema)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Azeitona



Azeitona madurinha
Nos ramos fazendo enfeite
Vais deixar de ser pretinha
No lagar feita em azeite.

Mas na rama a baloiçar
Não te tornes descuidada
Porque podes ir findar
No bico da passarada.

Resistes ao Inverno frio
E ao rigor dos temporais,
Não queiras perder o pio,
Escorraça esses pardais.

Dentro em breve o lavrador
Te prenderá em seus braços
E vais seguir com fervor
O caminho dos seus passos.

No lagar vais ser moída
Com a arte portuguesa,
Transformada em bebida
Para o bem da nossa mesa.

Vais sofrer outra faceta
Nesta tua caminhada
Deixarás de ser preta
Para vires a ser dourada.

Num trabalho complexo
Feito em ti com deleite
Mudas de nome e de sexo
E passarás a ser azeite.

(Rama Lyon)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Vento


Fúria nas trevas o vento
Num grande som de alongar,
Não há no meu pensamento
Senão não poder parar

Parece que a alma tem
Treva onde sopre a crescer
Uma loucura que vem
De querer compreender.

Raiva nas trevas do vento
Sem se poder libertar
Estou preso ao meu pensamento
Como o vento preso no ar.

Fernando Pessoa